sexta-feira, 14 de julho de 2017

Racismo e preconceito




É impressionante que, ainda nos dias de hoje, nos deparermos com uma cena grotesca, ocorrida durante uma partida esportiva, onde um grupo significativo de pessoas, se considerando superiores, pela diferença do tom de pele, gritam e ofendem um atleta.
A sexualidade, preferências políticas e religiosas, classe social e diferenças raciais, rixas esportivas e musicais... Tudo tem sido passível de preconceito e agressões verbais e físicas.




Bom seria que cada um usasse seu tempo ocioso para praticar solidariedade.
Sim, existem milhões de instituições que necessitam de mão de obra voluntária para darem andamento aos seus projetos. 




Em São Vicente, existe uma escola de Surf que desenvolve projetos maravilhosos.  Lá existem alunos de todas as idades, dos 7 aos 73 anos, portadores de Síndrome de Down, Paralisia Cerebral e alunos que buscam reabilitação. Em março deste ano (2014), 42 pessoas vieram de Dourados/MS, para um final de semana diferente. Dez monitores, quatro cadeirantes, dois deficientes visuais e trinta portadores de deficiência intelectual tiveram o primeiro contato com o mar. Sem dúvida, inesquecível para aqueles que tiveram o privilégio de participar deste projeto. (Alex Costa é o Mestre que vem à frente desta escola, e ela se localiza na Av. Ayrton Senna da Silva, Itararé, São Vicente)
Acordem pra vida! Ninguém é melhor do que ninguém! Estenda suas mãos e construa um mundo mais humano, mais digno para todos. Ajudar, além de tudo, é gratificante. Pensem nisso!







Publicado originalmente na 
Edição n.º 951 
de 05 de julho de 2014
































Edição n.º 1016

Página 01

Ler... Ler... Ler... Sempre uma ótima opção!!






Na atual situação política/financeira do país, muitas famílias, que sempre viajaram nas férias, estão optando por ficar na cidade nas férias escolares de julho.

Aí surge um grande problema: como entreter a criançada??

Devemos concordar que não é nada produtivo deixá-los mergulhados em vídeo games, celulares, computadores...

É muito importante a interação familiar, principalmente com as crianças menores. Precisamos então desacelerar e usar a imaginação.

Uma boa opção é leitura coletiva ao ar livre. Programe um pic nic, em alguma praça ou parque próximo de sua casa.  Se isso não for possível,  utilize seu quintal, sua varanda, ou até mesmo monte um acampamento no quarto de seu filho. Faça um lanche gostoso, divertido... e escolham um bom livro.




Cada um lê um capítulo, e todos comentam. Dessa forma, mesmo que não terminem o livro no mesmo dia, todos ficarão interessados em terminá-lo depois.

Essa brincadeira irá proporcionar conversas posteriores sobre o livro, sua história e a mensagem que cada um conseguiu absorver.

Fica a dica!!






















Edição n.º 1016

Página 02

Sobre o filme "Entre abelhas”


Diferente dos outros filmes em que Fábio Porchat atua, que nos entrega significados e sentidos prontos, "Entre Abelhas" é um tipo de filme que todos ficam esperando a cena extra após os créditos, mas não há (desculpa, já contei! rs).
O filme começa com a "despedida de casado" de Bruno, que está em processo de separação. Porém, quando questionado não sabe dizer o que houve e nem o que fez para impedir a separação, já que ele não queria que acontecesse.
Em meio a esse conflito (de separação), Bruno passa, a cada vez menos, enxergar as pessoas - nem o motorista do táxi em que está, as pessoas no ônibus, a pessoa que passa de skate... E aos poucos ele enxerga cada vez menos pessoas.
É possível levantar diversas questões que surgem ao longo do filme, a primeira acerca da separação. Recorrente hoje em dia, mas no filme aparece claramente a não vontade de separação por parte dele, ao mesmo tempo que não há ação / atitude / tentativa para reverter a situação, parece não haver posse da relação, como se não assumisse o casamento como seu. Outro ponto é o que isso pode causar - depressão. Passa a faltar sentido, causa-lhe desanimo e, ele passa a correr atrás da tal poltrona vermelha que a esposa quis; talvez tentando reparar e, como ponta de esperança de resgate, ou, algo que restou do relacionamento, que talvez recuperado preenchesse o vazio da separação. Ou ainda, pensar na poltrona como lugar, e a "corrida" de Bruno durante todo o filme pela busca do lugar que tinha / ocupava, ou já não ocupava mais na vida da esposa.
Diante do vazio desse momento de tristeza, Bruno aos poucos deixa de ver as pessoas, o que em um sentido mais "figurado", não é muito difícil de ocorrer hoje em dia; não das pessoas desaparecerem, claro! Mas, no sentido de ser invisível na multidão de se sentir sozinho, sem apoio ou alguém com quem se possa falar de si (Bruno com o tempo não consegue mais enxergar o "amigo", este que nunca o ouviu)... Aí, pessoas e coisas vão perdendo sentido e lugar em nossas vidas, e desaparecem.
Outra questão que chama a atenção no filme, é que as pessoas nas fotos também desaparecem e, não ficam buracos, é possível ver o que havia por trás delas, ver além. O que leva a pensar nas coisas que estão por trás do supérfluo, que por vezes, ofuscam coisas sinceras e verdadeiras (não vou contar, mas isso é possível ver na última cena do filme). tão simples, mas que já não vemos mais como são, se perdeu na correria do dia-a-dia; aí todos se olham com cara de "ué! o filme acabou?" E eu te respondo: Sim! Simples não é? Vamos tirar os cabrestos e enxergar as pessoas, o mundo, e o que há de bom? Mesmo que algumas pessoas e a mídia tente nos mostrar outras coisas?
Vamos sair do piloto automático?














Edição n.º 1016

Página 03

Traição tem solução?






A traição é um assunto de extrema importância para se tratar na relação do casal, e se não for bem trabalhada, mesmo que ambas as partes desejem reconstruir uma relação pós-traição, haverá grandes dificuldades de superação. Quantas pessoas não carregam grandes “traumas” de traição, às vezes por uma vida toda, e sentem dificuldade de se relacionar e confiar outra vez?
Sentir-se traído aciona vários botões internos nas pessoas: “não sou boa o suficiente”, “o que eu fiz de errado?”, “o outro não me ama mais”, ” o outro não sente mais atração por mim”, “eu não conhecia a pessoa que estava ao meu lado esse tempo todo”, “o outro é mal”. Confiamos no parceiro e ele nos decepcionou; nos vemos obrigados a dividir o companheiro com uma terceira pessoa sem que possamos fazer nada em relação a isso; nos sentimos impotentes diante da decisão do outro.  
Esse processo é extremamente dolorido por diversos motivos:
Confiança: com a mesma confiança da criança em seu pai quando se joga de algum lugar alto na certeza de que ele não vai deixá-la cair, nós nos jogamos em um relacionamento, porém esquecemos que relacionamento é brincadeira de adulto, brincadeira entre dois adultos. Somos responsáveis por nossas atitudes e por nossas escolhas assim como o outro é pelas dele. 
A maneira que as pessoas lidam com a traição tem a ver com a maneira com que elas sentem as relações. Para muitas pessoas, uma das bases do relacionamento é a confiança e a traição representa então a quebra dessa confiança. Quando quebramos a confiança de alguém estamos desconstruindo algo maior do que isso, estamos modificando os sonhos e as expectativas, estamos quebrando aquilo que a pessoa esperava de uma relação.
Acordos: Quando nos relacionamos em uma dinâmica monogâmica existem alguns acordos entre o casal, sejam eles explícitos ou implícitos. Antes de qualquer coisa para que um relacionamento tenha sucesso é preciso que os acordos e contratos estejam às claras, não é possível que o outro siga as regras se elas são implícitas. Dessa maneira, cada parte envolvida terá a sua expectativa, que pode ou não ser divergente da do parceiro. Só é possível ao casal sair do “achismo” se eles conversarem abertamente sobre isso. 
Esse assunto acaba sendo um tabu entre os casais, não se fala o que se espera do outro, espera-se que o outro sinta a mesma necessidade que a nossa. Muitas vezes esses acordos implícitos são explicitados em brincadeiras, mas não se fala abertamente ao outro os significados de estar em um relacionamento sério para si, tampouco o que se espera dele. Vivemos a relação acreditando que o outro sabe o que se passa na nossa cabeça ou no mínimo deveria saber!
Sem diálogo não há relacionamento, sem comunicação não há verdade às claras. Sem conversa não é possível ao casal entrar em acordos e, portanto, a relação torna-se frágil, qualquer vento balança, visto que não há pilares estabelecidos!

Continua...











Edição n.º 1016

Página 04

Centro de Tradições Nordestinas - um pedacinho do nordeste em São Paulo



Com 26 anos de história valorizando a comunidade nordestina e sua história, o CTV – Centro de Tradições Nordestinas é uma ótima opção de passeio para adultos e crianças.
Fundada pelo radiodifusor José de Abreu em maio de 1991, o CTN trouxe a cultura e a fé nordestina para ser conhecida e saboreada pelos paulistas, por turistas e para acalantar o coração dos nordestinos que moram em São Paulo.
Além de valorizar e preservar a cultura nordestina, o CNT também desenvolve trabalho social de suma importância, que foi reconhecido, em 2003, como Organização de Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP , e de Utilidade Pública Municipal pela Prefeitura de São Paulo.
Localizado na Zona Norte, Rua Jacofer, 615 – Ponte Júlio de Mesquita Neto / Bairro do Limão – São Paulo/SP – Telefone: 11 3488.9400, o “pedacinho do nordeste” em São Paulo, oferece experiências culturais que abrangem toda a memória do nosso Nordeste: música, gastronomia, cultura, fé e social.




Nas férias de julho, o CTN fez uma programação muito especial para as crianças, com muitas brincadeiras e diversão. Segundo informações do site oficial, “na programação, que começa a partir das 14h, estão inclusas apresentações teatrais de causos nordestinos com palhaços. Estão previstos também espaços interativos com maquiagem infantil, oficina de brinquedos e recreação. Além disso, o CTN possui uma brinquedoteca e um parque de diversões para deixar a animação ainda mais completa.”


Serviço:
O CTN fica aberto ao público de segunda à quinta no horário de almoço, das 11h às 15h. Às sextas e sábados o funcionamento é das 11h às 05h e aos domingos das 11h às 22h. A entrada é franca em todos os dias, exceto às sextas-feiras.



Atrações
Teatro com palhaços – 14h00
Maquiagem infantil – 15h00
Recreação e gincanas – 16h00
Oficina de brinquedos – 17h00
Brinquedoteca
aberta aos sábados, domingos e feriados
Horário – 12h às 20h
Parque de Diversões
aberta aos sábados, domingos e feriados
Horário – 12h às 20h



Edição n.º 1016
Página 05


Saúde recebe inscrições para o Programa de Prevenção à Obesidade até o dia 21


Interessados devem procurar uma Unidade Básica de Saúde mais próxima


A Secretaria da Saúde recebe até o próximo dia 21 inscrições de interessados em participar de nova turma do Programa de Prevenção à Obesidade. As inscrições devem ser feitas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
A atividade, desenvolvida em parceria com a Secretaria de Esportes e Lazer, propõe possibilidades de melhoria na qualidade de vida aos participantes por meio da conscientização sobre práticas adequadas de estilo de vida, incorporação de hábitos saudáveis e de proteção à saúde para prevenir e controlar comorbidades.
O público alvo é o adulto maior de 18 anos. Os inscritos são convidados a participar de um encontro inicial para a apresentação da proposta e solicitação de exames bioquímicos e eletrocardiograma. Posteriormente, é realizada avaliação do médico do programa para liberação das práticas esportivas.
O programa é oferecido semestralmente e tem duração de quatro meses, com atividades semanais. Ao final será proposto um acompanhamento mensal para manutenção.
As ações desenvolvidas incluem as abordagens multiprofissionais de nutricionista, psicólogo, educador físico, fisioterapeuta e profissional médica que oferece práticas de Lian Gong.








Objetivo é a melhoria dos serviços oferecidos



A Prefeitura de Valinhos estabeleceu um novo protocolo de padronização para a coleta dos exames laboratoriais da Rede de Saúde. O objetivo é melhorar a qualidade dos serviços oferecidos. Os profissionais farão uma capacitação nos dias 27 e 28, no Centro de Estudos e Treinamento em Saúde (CETS).
A atividade será promovida em parceria com a Empresa 3albe, que cederá a bióloga, Adriana Araújo, para ministrar o curso. Participarão da capacitação, profissionais de enfermagem que realizam os procedimentos nas unidades de saúde e do Laboratório Municipal. Todos os funcionários devem seguir um protocolo de atendimento e de coleta.

Novo Laboratório

Valinhos ganhará uma sede própria para o Laboratório Municipal, que atualmente funciona em salas adaptadas, localizadas no Centro de Especialidades de Valinhos (CEV).
O início da construção está previsto para os próximos dias, após a liberação da Caixa Econômica Federal. A obra terá um investimento de R$ 1 milhão. Os recursos vieram de um convênio com o Ministério da Saúde.
O novo laboratório será construído em uma área de 1.772,87 m2, localizada na Rua Luiz Bissoto, no bairro Ribeiro. O prédio terá 491,90 m2, distribuídos em dois pavimentos.
De acordo com coordenadora do Laboratório Municipal de Valinhos, Vânia Peretti de Albuquerque Wobeto, a construção de um prédio próprio é de grande importância, pois atualmente o espaço não é adequado. “Com a nova estrutura, poderemos ampliar o atendimento, realizar outros tipos de exames e melhorar a condição de trabalho de todos os servidores”, afirmou.



Edição n.º 1016
Página 06





Valinhos envia delegação de 228 atletas para os Jogos Regionais de Americana



São 152 no masculino e 76 no feminino

Com uma delegação formada por 228 atletas, sendo 152 no masculino e 76 no feminino, a delegação de Valinhos promete fazer história na disputa dos Jogos Regionais de Americana, que começaram nesta quarta-feira (12). E o objetivo não é  somar medalhas. O sonho maior é mostrar o trabalho de formação de atletas. Dentro do Projeto Revelando Talentos, o grupo está otimista e com vontade de suar a camisa em cada competição.
No total, Valinhos terá representantes em 20 modalidades. “De acordo com o Plano de Governo, nós estamos tratando os Jogos Regionais com prioridade. Queremos que os talentos de nossa cidade possam adquirir experiência e se destacando na busca do aperfeiçoamento. Não estamos preocupados com medalhas. Queremos ver os nossos jovens talentos defendendo a cidade com honra”, explicou o secretário de Esportes, Rodrigo Paulo Ribeiro Big.
“Concordo com o Big. Valinhos precisa mostrar gente de sua terra, que nasceu aqui ou quem escolheu a cidade para viver. Os nossos talentos precisam disputar competições do nível dos Jogos Regionais. Assim, em um futuro próximo teremos grandes atletas levando o nome da cidade para todo o Brasil,” ressaltou o prefeito Orestes Previtale.
A programação completa com os horários pode ser consultada na página oficial da Prefeitura de Valinhos.
Vamos torcer pelos atletas de Valinhos!!








Edição n.º 1016
Página 07


Lula é condenado! Será?




O juiz Sergio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, no Paraná, condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT) a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro, tendo por fundamento a ocultação da propriedade de uma cobertura tríplex no Guarujá, litoral paulista.
As provas juntadas na construção da sentença de 238 páginas e 962 tópicos do serão fundamentais para que o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) confirme ou não a pena de nove anos e meio do ex-presidente Lula. A opinião é de gente que entende do assunto. O TRF-4 é responsável por julgar, em segunda instância, a decisão de Moro.
A sentença foi baseada na suposta propriedade do apartamento 164-A, no condomínio Solaris, no Guarujá (litoral de São Paulo), cujas benfeitorias feitas pelo Grupo OAS são colocadas pelo juiz Moro como principal prova de benefício de Lula pela construtora. O ex-presidente, no entanto, não tem escritura do imóvel em seu nome, e sim uma carta de intenção e um documento sem assinatura. "Não se está, enfim, discutindo questões de direito civil, ou seja, a titularidade formal do imóvel, mas questão criminal, a caracterização ou não de crimes de corrupção e lavagem. Não se deve nunca esquecer que é de corrupção e lavagem de dinheiro do que se trata", diz Moro na sentença, a qual determina, inclusive, o confisco do tríplex.
O uso das declarações de Léo Pinheiro, que mudou o depoimento em abril e disse que Lula seria o proprietário oculto do imóvel do Guarujá, acusando Lula de ter mandado destruir as provas que o ligassem ao imóvel, é o principal alicerce da condenação de Moro, que juntou às provas notícias publicadas pela imprensa e depoimentos de possíveis inquilinos do ex-presidente.
Segundo entendimento recente do STF (Supremo Tribunal Federal), a condenação em segundo grau é suficiente para determinar o cumprimento da pena. Lula espera em liberdade o recurso, já que Moro evitou pedir sua prisão imediata.
Segundo o ex-ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Gilson Dipp, a delação é apenas um meio de obtenção de elementos de prova, e não a prova em si. "Tudo aquilo que o delator disse tem que ser buscado. Ou entrega provas concretas, ou dá caminho para que se obtenham provas."
"Ele não conseguiu trazer aos autos uma única prova de que esse imóvel pertenceu ao Lula", afirma o ex-ministro da Justiça e ex-vice-procurador-geral eleitoral Eugênio Aragão.



Moro sustentou que não seria suficiente o exame formal da titularidade ou transferência do tríplex, e a concessão do apartamento teria ocorrido de forma "sub-reptícia", com a manutenção da propriedade para "ocultar e dissimular o ilícito".
Provar a propriedade seria a fundamentação básica para a decisão em segunda instância — e as provas nem sempre são tidas como contundentes.
É preciso lembrar decisão recente, de segundo grau do TRF-4, que anulou a sentença de Moro contra o ex-tesoureiro do PT João Vaccari, baseada em delações premiadas.
Com um currículo vasto, que inclui a orientação de doutorado do presidente Michel Temer (PMDB), a fundação do Instituto Brasileiro de Direito Administrativo e a inspiração para a criação da chamada Escola Paranaense de Direito Administrativo, o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello afirma que já esperava esse posicionamento de Moro sobre Lula. "Ninguém esperava uma sentença, e sim a condenação", diz. "Ele (Moro) não se comporta como magistrado, mas como um acusador. Ele não tinha prova e decidiu contra a lei. A propriedade imobiliária (no caso, o apartamento de Lula no Guarujá) tem que estar registrada. Se isso não é considerado, não dá para dizer que alguém é proprietário." Bandeira de Mello destila críticas ao comportamento de Moro — "me surpreendo que não tenha sido punido", "ele não parece juiz, suas decisões não são naturais de um juiz, são sempre parciais" — e afirma que apenas decisões de instâncias superiores podem corrigi-la. "Não se pode confiar que o Judiciário vá corrigir erros grosseiros", afirma o jurista. "Essa condenação não para em pé."
"Ele (Moro) coloca coisas que não têm nada a ver com a denúncia", diz o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão. "Chama a atenção a estrutura (da sentença). Não faz referência às testemunhas de defesa, só às de acusação. Quando vai para a fundamentação, diz em mais de 200 páginas por que ele não é suspeito por julgar Lula. É mais um esforço de preservação de imagem. São páginas para destilar a vaidade do juiz para se autopromover e descarregando sua bronca em cima do réu."
Os juristas também estranharam as considerações de Moro sobre a defesa de Lula e a afirmação de que o ex-presidente não provou sua inocência no único depoimento que deu ao juiz, em maio. "Desde o momento que ofereceu a denúncia, sabia-se que Lula seria condenado. Quando a defesa tentava argumentar, Moro não permitiu porque achava que era perda de tempo. Quando tentou sua defesa, Moro cortou-lhe a palavra. Houve uma extrema má vontade com a defesa", diz Aragão.
Segundo o ex-ministro Dipp e o ex-procurador Fonteles, nunca houve necessidade de Lula apresentar provas de sua inocência — cabe ao acusador, no caso o Ministério Público Federal, mostrar quais são as acusações. "A defesa tem obrigação de apresentar a contraprova. Testemunha tem que depor, dizer a verdade", diz Dipp. "O réu só pode trazer a prova se ele levar uma tese de legítima defesa — mas aí ele admitiu o fato. O ônus da prova cabe à acusação", afirma Fonteles.
De forma que, agora, a palavra está com o Tribunal!...





















Edição n.º 1016

Página 08