sexta-feira, 2 de junho de 2017

“O tempo da infância e a infância de nossos tempos”

Com participação de Antonio Prata, Café Filosófico CPFL de junho discute “O tempo da infância e a infância de nossos tempos”

Antonio Prata, Maria Rita Kehl, Ilana Katz e Julieta Jerusalinsky, curadora do módulo, discutem “O tempo da infância e a infância de nossos tempos” na nova série de encontros do Café Filosófico CPFL em junho.

Antônio Prata



Os debates, abertos ao público, em Campinas, e transmitidos ao vivo pelo site e pela página do Instituto CPFL no Facebook , terão início na próxima sexta-feira, 02/06, às 19h, com uma reflexão da psicanalista Julieta Jerusalinsky sobre “Intoxicações eletrônicas na primeira infância”.

Segundo a curadora, os encontros vão abordar como a infância, frequentemente idealizada como um momento idílico da vida, implica também um intenso trabalho para a criança situar-se e construir a sua personalidade a ser diante do outro familiar, escolar e social.

“As crianças estão expostas na linha de frente dos impasses produzidos pela cultura e sociedade de cada época, diante dos quais elas tentam produzir respostas, se ocupando e se preocupando com aquilo que as cerca. Por isso é relevante escutarmos as respostas que as crianças têm produzido diante dos ideais e sintomas sociais de nossos tempos”, afirma.

De acordo com Jerusalinsky, essas respostas acontecem em um contexto marcado por novas configurações familiares, polarização política,  intolerância e virtualidade das relações. “A internet possibilita trocas simbólicas com aqueles que geograficamente estão longe e, ao mesmo tempo, incrementam os dispositivos da sociedade de controle, de formações narcísicas do ‘parecer’ e nos linchamentos virtuais produzidos nas redes sociais em uma gangorra entre a fama e a difamação.”

A exigência de estar permanentemente online, afirma, traz como consequência um convívio no qual as pessoas passam a estar de corpo presente, mas, muitas vezes, psiquicamente ausentes, olhando cada um para sua janela virtual. “Isso tem desencadeado intoxicações eletrônicas em pequenas crianças que ficam capturadas nas telas de seus gadgets eletrônicos, em lugar de entrarem em relação com os outros. Crianças um pouco maiores, por sua vez, passam a ter acesso a conhecimento supostamente pleno ao alcance de um clic no Dr. Google, mas frequentemente carecem de ter com quem compartilhar as experiências para produzir um saber-viver singular”.



No encontro seguinte, na sexta-feira, 09/06, o escritor Antonio Prata, colunista da Folha de S.Paulo, conversa com o público sobre como a infância deixa marcas indeléveis ainda presentes nos adultos.

Julieta Jerusalinsky


Confira a programação completa do Café Filosófico CPFL de junho:

02/06 | sex | 19h
Intoxicações eletrônicas na primeira infância
Com Julieta Jerusalinsky, psicanalista
A virtualidade traz o ganho da dissociação do corpo. Mas como considerar esta dissociação em um tempo em que ainda o bebê não produziu tal apropriação? Abordaremos os impasses apresentados na constituição dos bebês e das pequenas crianças diante do modo de relação produzido na era virtual.

09/06 | sex | 19h
Infância e memória
Com Antônio Prata, cientista social e escritor
A infância deixa marcas indeléveis a partir das quais cada um se torna quem é. Apesar de que muitas delas caiam na amnésia infantil, continuam vividas em nós. Fazer o exercício de recordar ajuda-nos a elaborar. Transmitir o vivido como uma experiência não idealizada à geração seguinte é decisivo para não condena-la a repetir.

23/06 | sex | 19h
Infância e novas configurações familiares
Com Maria Rita Kehl, psicanalista e escritora
As configurações familiares passam por transformações ao longo de cada época, exigindo modificações de sua inscrição jurídica. As famílias tentaculares da atualidade produzem novas questões às crianças que devem ser escutados considerando, ao mesmo tempo, que o tradicionalismo parental nunca foi garantia de saúde psíquica.

30/06 | sex | 19h
Infância e política
Com Ilana Katz, psicanalista
O lugar que as crianças ocupam na cidade é uma experiência política que elas fazem na condição de participantes do laço social, sofrendo os efeitos do lugar simbólico que lhes é reservado, do tempo em que vivem e das formas e modos de laços dispostos em seu circuito social. E é sob este contexto que se tecerá sua subjetividade e sua participação na polis.

Mais informações em institutocpfl.org.br










Edição n.º 1012
Página 06



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