sexta-feira, 28 de junho de 2013

Colcha de retalhos comentadores




Você tem fome de que? A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte.A gente quer saída para qualquer parte... (Titãs)


         Juntando comentários de vários articulistas e as imagens do artista plástico Elifas Andreato, resulta uma colcha de retalhos que comentam e interpretam os acontecimentos das últimas semanas.
         “Tanto o interior quanto o litoral ressuscitam conflitos reprimidos a exigir justiça, eficiência e honestidade públicas. Eis um ponto de partida para compreender como o protesto termina em revolta, porque a densidade dos gestos corresponde à ausência de ação dos governantes que não são mais distinguíveis por partido ou por atitudes. Não há mais quem possa fazer por nós, exceto nós mesmos. Todos os políticos ficaram iguais no seu narcisismo e na sua surdez.” (Roberto DaMatta, O Estado de S.Paulo, 19/6, C8)


         “O que querem os manifestantes? Querem, por exemplo, serviços públicos de primeiro mundo; querem uma escola que, além de acolhê-los, lhes ensine com qualidade; querem uma universidade que não seja politizada, ideologizada ou burocrática. Querem que ela seja moderna, viva, que os prepare para o trabalho futuro. Querem hospitais com dignidade, sem meses de espera, onde sejam tratados como seres humanos; e querem, sobretudo, o que ainda lhes falta politicamente: uma democracia mais madura. Querem um Brasil melhor.” (Juan Arías, jornal espanhol El País, 17/6)
         “Em 1960, Jânio Quadros iria "varrer toda a bandalheira"; em 1964, o golpe militar veio para "acabar com o comunismo e a corrupção": aniquilou vários comunistas e promoveu a corrupção. Collor arrasou nas urnas combatendo "os marajás", aos quais aderiu gostosamente antes de renunciar para não ser deposto.  E o PT e Lula, que iriam "mudar tudo isso que está aí" (proposta esquecida no primeiro mês de governo petista)?” (Marco Antonio Rocha, O Estado de S.Paulo, 20/6, A2)
         “Não entendo bem quem está do lado de quem. Na minha memória de dinossauro, o PT era a âncora dos ativistas. Agora, as manifestações são contra o PT? E o PSDB, que floresceu no PMDB, partido que, com a sigla MDB, corajosamente se opunha aos direitistas pró-militares da Arena?”  (Walcyr Carrasco, revista Época, 22/6)

         “A ascensão do sindicalismo não resultou necessariamente em democracia – ao contrário, vem reforçando a matriz tradicional, corporativista e patrimonialista. O instinto democrático tornou-se clientelista. O processo lulista saturou rapidamente, com uma solução trôpega: o consumo cresceu, mas quem consome não está feliz e quer viver melhor, o que não significa apenas consumir.” (Fernando Henrique Cardoso, O Estado de S.Paulo, 22/6, C3)
         “O mundo político insiste em dizer que desconhece as causas dos protestos. Recorrendo a Nelson Rodrigues: se quem protesta não sabe exatamente no que bate, seus alvos sabem perfeitamente por que apanham.” (Dora Kramer, O Estado de S.Paulo, 21/6, A8)



         Assim, a discrepância entre a indiferença e os desmandos do poder público (“tributos suecos para serviços nigerianos”) independentemente do matiz partidário e as demandas de uma sociedade maltratada pelo Estado fez levantar bandeira e deixar um rastro de estrelas/pedidos: a gente quer comida para alimentar o corpo, diversão para esquecer que estamos sempre na corda bamba, e arte para embalar o espírito e a alma : a gente quer uma saída!

Confraternização junina


Com animação e alegria, a Unidade Valinhos do Colégio Porto Seguro promoveu um 22 de junho festivo, iniciado às 10h e que durou até o por do sol, quando o pipocar e o assovio dos fogos juninos encerrou mais uma brilhante festa junina.



O diretor da Unidade Valinhos, prof. José Admir Moreli, declarou à reportagem de NOTÍCIAS que tanto o objetivo de confraternização da comunidade, como o de solidariedade que é destinar um significativo resultado econômico para as entidades assistenciais da região com a venda de quitutes próprios da época foram satisfatoriamente atendidos.

Foi um dia radiante! A comunidade compareceu maciçamente, e o tempo e a temperatura foram favoráveis, exibindo um sol aconchegante a iluminar a vasta área equipada com barracas cheias de muitas atrações: balanços com piruetas, boi mecânico, danças, comes e bebes e conjuntos musicais.




Este ano a motivação foi maior por ser o ano da Alemanha no Brasil”. Foram apresentadas danças típicas por crianças e jovens. E houve também a apresentação do grupo de danças folclóricas da Alemanha. 



Uma banda percorreu o recinto e foi alegrando a todos. A orquestra de violeiros de Valinhos, que tem sempre se apresentado, este ano mais uma vez foi presença de destaque e exibiu um repertório de qualidade.


Entre tantas guloseimas para degustação, o “café alemão” tradicional com seus doces típicos foi apreciadíssimo!
Um brinde, sem álcool, foi levantado ao Brasil o maior parceiro da Alemanha! Nem um chopinho foi ali comercializado!


O público compareceu e permaneceu, cheio de alegria. A confraternização da família do Porto Seguro e de seus convidados congraçou a todos, desde os da mais tenra idade até os mais “maduros”.
Texto
Tom Santos
Com esta festa junina, por certo a Unidade Valinhos do Porto Seguro abriu o período de festividades pelos 30 anos de seu nascimento em Valinhos.


ONDE ESTÁ O TESOURO?


Um rico e já idoso fazendeiro, que sabia não ter mais tanto tempo de vida pela frente, chamou seus filhos à beira da cama e lhes disse: “Meus filhos, escutem com atenção o que tenho para lhes dizer”. Não façam partilha da fazenda que por muitas gerações tem pertencido a nossa família. Em algum lugar dela, no campo, enterrado, há um valioso tesouro escondido. Não sei o ponto exato, mas ele está lá, e com certeza o encontrarão. Se esforcem, e em sua busca, não deixem nenhum ponto daquele vasto terreno intocado.
O velho homem morreu, e logo depois, seus filhos começaram o trabalho de busca. Cavaram com vontade e força, revirando cada pedaço de terra da fazenda com suas pás e seus fortes braços.
E continuaram por muitos dias, removendo e revirando tudo que encontravam pela frente. E depois de feito todo trabalho, o fizeram outra vez, e mais outra, duas, três vezes.
Nenhum tesouro foi encontrado. Mas, ao final da colheita, quando eles se sentaram para conferir seus ganhos, descobriram que haviam lucrado mais que todos seus vizinhos. Isso ocorreu porque ao revirarem a terra, o terreno se tornara mais fértil, mais favorável ao plantio, e consequentemente, a generosa safra.
Só então eles compreenderam que a fortuna da qual seu pai lhes falara, era a abundante colheita, e que, com seus méritos e esforços haviam encontrado o “verdadeiro tesouro”.
É de Esopo a fábula que nos estimula a pensar na importância do nosso trabalho, dos compromissos assumidos, no desenvolvimento dos talentos e dons.
É preciso que se tenha muita vontade e força e que a cada dia se mostre dedicação em realizar tudo o que planejamos e o que queremos de melhor para nós.
Precisamos acreditar que o nosso esforço, o empenho, a dedicação e a persistência nos ajudarão a crescer, a conquistar o que almejamos para nós, para nossa família, nossa comunidade.
Isso tudo, considerando as adversidades, os insucessos, os desencantos e as incertezas que surgem durante a caminhada.
São de José Roberto Bissoto, as belas palavras, extraídas de seu livro:
‘ Que bom seria o mundo se as pessoas se unissem diante de Deus!
E se não houvesse tantas maldades e tantas injustiças.
Que bom seria o mundo se todas as maldades se afastassem!
Que bom seria o mundo se todos os irmãos se abraçassem com carinho!
Que bom seria o mundo se todos nós vivêssemos com amor!’
É possível transformar esses desejos em realidade, na medida em que cada um de nós acreditar mais em si mesmo, nas pessoas e em Deus.
É possível, nas pequenas atitudes de cada dia, fazer crescer o bem, espalhar a confiança, infundir a compreensão, divulgar o respeito mútuo, lançar a solidariedade para todas as direções...


A vida, com todos os seus desafios, é o nosso grande tesouro!














A Associazione Italo-Brasiliana Abruzzo Forte e a Secretaria da Cultura da Prefeitura de Valinhos, apresenta o filme do projeto cine Viva Itália”, “Una Giornata Particolare”, (Um dia muito especial), com Sophia Loren e Marcello Matroianni,  dia 05/07/13 às 19:30 horas, no Centro Cultural Vicente Musselli, Av. Joaquim Alves Correia, 627 – Valinhos.




Apos a apresentação teremos o lanche tradicional e o vinho!










Câncer de Testículo


Os tumores malignos de testículo representam o câncer mais freqüente em homens com idade inferior a 45 anos, sendo que a idade média é em torno de 34 anos.
A incidência é de 1% a 1,5% dos tumores do sexo masculino e cerca de 5% de todos os tumores urológicos. Desde a década de 70, registra-se um aumento constante de sua incidência, principalmente em países industrializados. Paralelamente ao aumento da freqüência deste tumor, avanços importantes no conhecimento da sua fisiopatologia e desenvolvimentos de novos agentes para quimioterapia, permitiram um aumento expressivo das taxas de cura, que era de 30% na década de  1970 para mais de 95% atualmente.
Em cerca de 70% dos casos o tumor está confinado ao testículo, no momento do diagnóstico. O sintoma mais comum é o aumento indolor do volume do testículo.Este aumento muitas vezes é confundido com processos inflamatórios, como epididimite e orquite. Quero ressaltar que é muito importante que o paciente, assim que perceber algum nódulo (carôço) na região da bolsa testicular (escroto), deverá imediatamente procurar orientação médica. Pelo fato de inicialmente ser indolor, muitas vezes o paciente demora em manifestar o problema.
Com a presença do nódulo, é indicado a ultrassonografia escrotal, que tem bastante sensibilidade para o diagnóstico do tumor testicular, diferenciando de lesões inflamatórias. Quanto aos exames de laboratórios, a alfa-fetoproteina e o Beta-HCG  são importantes no diagnóstico, no estadiamento  (para definir se a doença é localizada ou não). No prognóstico e no monitoramento do tratamento.A Desidrogenase Lática (DHL) representa um marcador inespecífico que se eleva em até 80 % dos pacientes com tumor germinativo, tanto seminoma como não-seminomatosos.
A classificação dos tumores de testículo, do ponto de vista histológico, podem ser agrupados em:
A-Tumores de células germinativas:
-Seminomas (50%)
-Não Seminomas (50%)
B-Tumores do Estroma gonadal.
C-Tumores Mistos.
D-Outros como Sarcoma, etc.

O tratamento inicial é a cirurgia (Orquiectomia) por via inguinal, com  retirada do testículo ,  do epidídimo, do cordão espermático e as túnicas que os envolvem.
Como tratamento adjuvante (após a cirurgia) pode-se indicar vigilância ativa, radioterapia dos gânglios linfáticos inguinais e retroperitoniais, quimioterapia e linfadenectomia retroperitonial em alguns casos.

O prognóstico depende do tipo histológico e do estadiamento, podendo chegar a quase 100% de cura nos Seminomas  em estágios iniciais.









NEGOCIAÇÃO E INFLUÊNCIA


“Negociação é um processo de comunicação bilateral, com o objetivo de se chegar a uma decisão conjunta.” – Fisher & Ury, 1985

         Quando negociamos? O tempo todo, em casa e no trabalho. Aliás, nas últimas semanas, a sociedade brasileira tem convivido com muitos questionamentos, protestos, influências e negociações. Além de crucial para o convívio em comunidade, o tema está em voga.
A plataforma de negócios do Grupo Estado – Estadão PME tem o intuito de informar e capacitar pequenos e médios empresários. Por esta razão, o 21º Curso de Capacitação e Gestão teve como tema “Negociação e Influência para Venda de Ideias”, com o professor Richard Vinic, da FAAP, no último dia 13.

         Tive a oportunidade de participar deste curso. As quase seis horas de duração passaram sem percebermos, tamanha foi a troca de ideias e experiências entre os participantes. De forma concisa, eis alguns dos tópicos tratados, que estão na apostila que recebemos como material de apoio:
Princípios da Influência
- Do gostar – as pessoas gostam daqueles que gostam delas;
- Da consistência – as pessoas seguem e perseguem compromissos  claros e consistentes;
- Da escassez – as pessoas precisam mais daquilo que elas têm menos;
- Da autoridade – as pessoas reconhecem símbolos de autoridade e o notório saber;
- Da pressão social – as pessoas seguem caminhos abertos por semelhantes.
Muitos são os desdobramentos destes princípios. Quase 30 tópicos foram elencados por sugestão dos presentes. Portanto, são muitas as formas de influenciar pessoas. Quanto mais tivermos acesso às informações e domínio deste conhecimento, maiores as chances de sucesso.
Outro fator importante e pouco incentivado em nossa cultura, é o planejamento. Desde ter o hábito de preparar-se para uma reunião, até investir na elaboração de um plano de negócio, antes de abrir uma empresa – pode ser o diferencial, responsável pelo sucesso.
Reforçar o espírito colaborativo, em detrimento do competitivo é um comportamento cada vez mais valorizado. O fomento da diversidade de ideias com respeito, possibilita a criação de um ambiente inovador. E é disso que mais precisamos – de conexão, de humanização. A tecnologia existe para auxiliar, facilitar e melhorar nossa vida. Infelizmente, tem isolado muitas pessoas. Paradoxalmente, a conexão 24 horas pode nos desconectar do outro. Mas ainda há tempo para revertermos este quadro.
Foi muito interessante responder a um ‘questionário de influência’, para identificarmos nosso padrão de táticas de influência, que pode ser: racional (fatos, argumentos lógicos, dados, evidências), inspiração (entusiasmo, valores, desafios, ideias e aspirações), consulta (envolve, participa, pede parecer, aceita sugestão), legitimação (sempre foi assim, autoridade do cargo, cultura da empresa ou normas), colaboração (oferece apoio, coloca-se à disposição, realiza junto), pressão (dá ordens, pressiona, checa ou lembra tarefa ou pedido com muita frequência), troca (uma mão lava a outra, troca de favores – explícita ou não), parceria ou coalisão (procura apoio de terceiros, alianças).        

Postura, atitude e fisionomia (55%), tom de voz (38%) e palavras (7%) comunicam e influenciam. Conhecer a si mesmo, ter percepção mais aguçada do outro e ter clareza de onde desejamos chegar, é o ponto de partida para alinhar propósitos e atitudes. Assim, otimizamos a caminhada, estreitamos laços e fortalecemos uns aos outros, dando significado aos trabalhos que nos propusermos a executar. Este é o caminho para a excelência.






Projeto de apoio a entidades

Na sessão de terça--feira (25/06/2013) foi apresentado pelo vereador Aldemar Veiga Junior um projeto que permite ao servidor público da Câmara Municipal, através de folha de pagamento, ser feita uma doação ao Fundo Municipal do Idoso e/ou ao Fundo Municipal da Criança e do Adolescente.
Estes fundos são de natureza social e tem a finalidade de proporcionar os meios financeiros necessários para a implantação, manutenção e desenvolvimento de programas e ações dirigidos
aos idosos e as crianças e adolescentes.
Os fundos são administrados por um conselho composto de representantes do poder público e da sociedade civil, que são normalmente membros das entidades, que analisam as propostas das
entidades municipais e destinam as doações aos projetos prioritários.
Com a proposta do vereador Veiga, os servidores públicos podem autorizar a ser descontado de seus salários o valor que ele determinar, que poderá ser mensal ou anual, e que será depositado pela Câmara na conta corrente dos fundos.
Através de Moção (pedido) aprovada por unanimidade pelos vereadores, o mesmo projeto será encaminhado ao Prefeito e ao Presidente do DAEV para que adotem o mesmo, pois, desta forma todos os servidores, que quiserem contribuir com os Fundos Municipais estarão ajudando as nossas entidades.


Importante dizer que, o valor doado ao fundo poderá ser abatido do imposto de renda, portanto, antes de recolher este valor ao Governo Federal ele ficará em nosso município, para ajudar as nossas entidades.

















Clamor do povo derruba a PEC 37



A Câmara dos Deputados derrubou na terça-feira, dia 25, no plenário, por 430 votos a nove (e duas abstenções), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que impedia o Ministério Público (MP) de promover investigações criminais por conta própria. Por essa proposta de alteração na Constituição, promotores e procuradores não poderiam mais executar diligências e investigações por conta própria — apenas solicitar ações no curso do inquérito policial e supervisionar a atuação da polícia. O texto da PEC, de número 37, também chamada “PEC da Legalidade”, de um lado e, paradoxalmente, “PEC da Impunidade”, de outro, previa competência exclusiva da polícia nessas apurações. Com a decisão da Câmara, a proposta será arquivada.


         A votação foi acompanhada por promotores, procuradores e policiais, que ocupavam cadeiras na galeria do plenário da Câmara. Conduzidos pelo líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), promotor de Justiça licenciado, parlamentares tucanos ergueram cartazes no plenário contra a PEC 37. As cartolinas estampavam “Eu sou contra a PEC 37. Porque não devo e não tenho medo da investigação. A quem interessa calar o MP?”, indagava o manifesto.

         A rejeição da PEC 37 era uma das reivindicações dos protestos de rua que se espalharam em todo o país e que, segundo o promotor de justiça Hevandro Cerutti, teve na sociedade de Roraima, o seu apoio inicial, visto que os roraimenses inseriram a campanha contra a PEC 37 nos movimentos sociais nas ruas e nas redes sociais.

         De efeito prático, com o arquivamento feito pelos deputados, fica mantido o poder de investigação do Ministério Público. Assim, o MP, que foi a única instituição defendida abertamente pela população nos movimentos populares que ocorreram nos últimos dias e estão ocasionando essa mudança de rumo no país, continua mantendo a responsabilidade e a obrigação constitucional que tem de combater a corrupção.

         Com efeito, coube ao Ministério Público, dentre as inúmeras e corajosas atuações, a responsabilidade pela apuração do que resultou no chamado “mensalão”.

         A sociedade deu carta branca ao MP para continuar atuando como vem fazendo, nessa luta contra a corrupção.



         O que me parece importante, agora, é que independentemente do arquivamento da PEC, haja atuação em conjunto do Ministério Público e das polícias e outros órgãos públicos, como efetivos parceiros nesse combate.





sexta-feira, 21 de junho de 2013

Era uma vez, uma contadora de histórias




A Tati sempre encontrava uma rima ou um duplo sentido nas palavras, divertindo seus leitores e ouvintes, pegando-os diversas vezes no contra-pé. Sempre revelava brechas nos pontos finais. Como quem diz: não existe final! As chaves da criatividade e da compreensão acabam por revelar um universo infinito de possibilidades e conexões.” (Rabino Ventura, na cerimônia de despedida)


         Ela nasceu em 1919, em São Petersburgo (Rússia), e imigrou para o Brasil com a família, aos dez anos de idade, fugindo das guerras civis da então União Soviética. Devia ter a aparência dessa foto de 1928, e trazia na bagagem seu bichinho de pano e sua memória de estórias folclóricas russas.
         Casou-se com o médico e educador Júlio Gouveia (1914-1988). Com ele, em 1952, adaptou a peça “Os Três Ursos” para a extinta TV Tupi, onde também estreou a primeira versão para a televisão da obra “O Sítio do Picapau Amarelo”, de Monteiro Lobato, programa que ficou no ar por 11 anos.
         Até a semana passada, toda vez que uma montagem teatral do “Sítio" era feita, os atores e diretores recorriam aos  ensinamentos de Tatiana, que os acolhia calorosamente em sua própria casa.
         Tatiana Belinky se tornou referência em literatura infanto-juvenil, no teatro e na televisão. Personalidade muito importante na cultura brasileira e de São Paulo, ela recebeu o prêmio Jabuti em 1989. E em 2010, foi eleita imortal pela Academia Paulista de Letras.
         Sua literatura era marcada pela brincadeira, pelo humor, pela musicalidade das rimas e pelos jogos de palavras para estimular as crianças a interpretar as estórias e achar seu valor intrínseco. Ela dizia que sempre quis ser bruxa, bem bonita, porque ela tem poder, humor e exerce o senso crítico".
         No final da biografia da escritora, feita por Sergio Roveri, Tatiana Belinky pediu que fosse incluída a seguinte mensagem: "Quando entrego uma nova obra, eu peço uma gentileza aos editores. Por favor, publiquem rápido para que eu tenha tempo de ver. Não sei se posso esperar até os cem anos. Até os 95, estou disposta, mas depois disso não me comprometo."

        Aos 94 anos, a “bruxa mágica” se foi para a terceira margem do rio, na semana passada. Ficamos todos um pouco mais órfãos.


         Mas não é o final! As chaves de sua criatividade e compreensão nos revelam um universo infinito de possibilidades e conexões: a fantasia, o reforço da identidade e a solidariedade com o diferente, como ilustram seus versos: "Tudo é humano,/ bem diferente,/ assim, assado/ todos são gente./ Cada um na sua,/ e não faz mal./ Di-ver-si-da-de/ é que é legal."












Saudades de uma amiga


         Querida Tatiana,

         Enquanto não chega o dia do nosso re-encontro no tempo da delicadeza, quero expressar-lhe meu agradecimento por seu incentivo ao meu trabalho profissional e por seu apoio em forma de críticas às minhas produções de espetáculos infantis no Teatro Aplicado (à Dramartugia Brasileira), em São Paulo.
         Nos 30 anos de atividade do Aplicado, entre 1978 e 2008, foram montadas mais de 30 peças infanto-juvenis, todas de autores nacionais (Jurandir Pereira e Silas ???, entre outros), às quais você sempre compareceu, como crítica do "Jornal da Tarde" e como amiga.
         É com saudades que me lembro dos seus olhos sempre tão brilhantes e do seu sorriso entusiasmado por compreender a importância que dávamos sem nenhum apoio oficial ou institucional aos dramaturgos brasileiros que não tinham tanto destaque como Monteiro Lobato, por exemplo!
         A foto que Zanone Fraissat (Folhapress) tirou de você no seu aniversário de 93 anos, em 2012, mostra bem essa alegria e disposição vital.

         Aliás, esses traços tão característicos da sua personalidade podem ser constatados em qualquer foto sua, quer em festas de aniversário, quer em noites de autógrafos dos seus livros infantis (e a gente sabe que você escreveu mais de 250!), quer em entrevistas (a jornalistas; a programas de TV, como o “Roda Viva”; ou a estudantes e atores que iam à sua casa em busca de sugestões para trabalhos de pesquisa ou montagem de espetáculo).



         Agora em outra dimensão, você deve estar encantando seus “ouvintes” com outras estórias e histórias.
         Receba, aí, minha homenagem.
Texto
Tom Santos
         Com grande admiração,


                                               Tom