sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O cadáver do paladino da moralidade



Como reconheceu Reinaldo Azevedo (Folha de S.Paulo, 13/02) “valentias de moribundo são um espetáculo melancólico. O PT era uma neurose. Agora é só uma necrose moral.” Tal tese sobre a corrupção nos governos do PT é corroborada pelo senador Aloysio Nunes (PSDB-SP): “O PT de hoje é um cadáver moral”.
Às vésperas do mês de março, por exemplo (entre tantos e tantos muitos outros), a Controladoria-Geral da União não contabilizou um único centavo dos gastos do governo federal com cartões corporativos em 2014. No ano passado, o governo Dilma gastou mais de R$ 65 milhões utilizando essa forma de pagamento, cuja conta é bancada pelo contribuinte. Na Presidência da República, 90% dos gastos com cartões corporativos são escondidos sob “sigilo” desde o governo Lula, que tornou “secretos” os gastos após a revelação de uso de cartões para pagar mordomias de sua família e de ministros.




Outra tristíssima conclusão (entre tantas e tantas muitas outras) é que a prática do governo Dilma desmente o seu discurso sobre “Pátria Educadora” e prejudica milhões de estudantes brasileiros (traição aos bolsistas da FIES; cortes no orçamento da Educação; atraso nos recursos da PRONATEC; notas baixas nas avaliações do Ensino Básico), como mostra a capa da revista ISTO É (22/02/2015): o semestre letivo começou com greve de professores em Brasília, por falta de pagamento do 13º e de salários atrasados.
Enquanto isso, também na Câmara suas excelências que recebem salários nababescos, além de 13º (entre tantas e tantas outras muitas mordomias).. ‒ e não precisam fazer greve por motivo tão prosaico, ainda não tinham voltado ao “trabalho” três dias depois do carnaval, como Dida Sampaio flagrou (capa do Estadão, 20/02).
  




"A situação desesperadora da época na qual vivo me enche de esperanças." A frase é de Marx, enunciada há mais de 150 anos. Ela lembrava como situações aparentemente sem saída eram apenas a expressão de que enfim podíamos começar a realmente nos livrar dos entulhos de um tempo morto. Há algum tempo, o filósofo e professor livre-docente da Universidade de São Paulo Vladimir Safatle insiste que o lulismo entraria em um esgotamento, restando ao governo, primeiro, ser refém de um Congresso que ele próprio alimentou e, depois, contemplar cada deputado com seu quinhão intocado de fisiologismo. O articulista (Folha de S.Paulo, 24/02) escreveu que “o Brasil é a melhor expressão da decadência e da mediocridade própria ao fim de um ciclo”.
Para completar o quadro da atual (sur)realidade nacional, a presidente “tem contra si um partido capaz de tudo quando se encontra na oposição: o PT. Se se descobre que todo o triunfalismo não passava de uma bolha, que a bolha estourou e é preciso conter o pus, por que espremer somente Dilma se, em quatro anos, ela só fez o que os companheiros achavam justo e certo?”, se pergunta Ruy Castro (Folha de S.Paulo, 25/02).
Quantos “malfeitos” mais os brasileiros terão de aguentar, nesse longo e penoso velório do paladino da moralidade?




















Edição n.º 976 - página 01




O poeta Castro Alves






Quarta feira, dia 14 de março, Dia da Poesia – comemora-se o aniversário de nascimento de Antonio Frederico de Castro Alves, poeta abolicionista.
Ainda mal se iniciava a sua juventude e ele já abraçava os estudos de Direito, mergulhando com todas as suas forças na luta pela abolição dos escravos.
Castro Alves continua vivo, porque o espírito é imortal.
Essa consciência da imortalidade foi a tônica do discurso do Dr. Rozendo Muniz, por ocasião do sepultamento do poeta, em 6 de julho de 1871, na Bahia.
Alguns dias após o desencarne de Castro Alves, o jornal O Popular, de Santo Amaro, Bahia, publicou um artigo de Antonio Alves Carvalhal, que fora colega do poeta, no ginásio baiano. Ele dizia:
“Sublime mistério, senhores!
Enquanto a matéria bruta tomba a confundir-se com o nada, um espírito se eleva a abraçar-se com Deus.
O espírito, que voa, vai renascer mais radiante em Teu trono de luz!
Louvado sejas Tu, Pai de misericórdia, que assim infundiste em nossa alma uma porção de Tua essência divina!
Louvado sejas Tu, que nos abriste o tesouro da imortalidade!”
Mensagem enviada pelo espírito de Castro Alves e psicografada por Chico Xavier:
“Há mistérios peregrinos nos mistérios dos destinos que nos mandam renascer: Da luz do Criador nascemos, Multiplas vidas vivemos, para a mesma luz volver”.
Outra mensagem, psicografada pelo médium Jorge Rizzini:
“Avante Espírita, avante! Que vós sois o sal da Terra! Espalhemos da Doutrina, os tesouros que ela encena!
Na América, na Índia, Espanha, Portugual, França, Alemanha, promovei uma campanha, inclusive na Inglaterra!”
Estes trechos, atribuídos a mensagens pós morte do poeta romântico Castro Alves, apontam para a proposta de se pensar sobre a vida após a morte física!













Edição n.º 976 - página 02

NA CONTRAMÃO DO COTIDIANO




Algumas pessoas viviam num agrupamento afastado no meio da floresta, sem nenhum contato com a civilização.
Certo dia, o líder do grupo precisou ir até a cidade e passou três dias por lá. Quando voltou, todos lhe perguntaram o que tinha visto de interessante na cidade.
Então ele falou dos carros, da televisão e de tantas outras coisas que as pessoas daquele grupo nunca tinham ouvido falar. Finalmente, disse: Mas, tem uma coisa que foi a que mais me impressionou. É algo sensacional, que seria muito útil para todos nós. Chama-se torneira. E continuou: A torneira vai resolver todos os nossos problemas de água. Vou voltar à cidade com um saco de milho e trocá-lo por uma delas. Vocês verão que com a torneira não vamos mais precisar carregar água do riacho até aqui, nem armazenar água.
Assim o homem voltou à cidade e de lá trouxe a torneira. Chamou todos do agrupamento, fez um buraco na parede e a enfiou ali, satisfeito. Depois disse a todos: Agora vejam como isso é uma coisa mágica. Vou girar esta parte da torneira e vai sair água por ela.
Então, ele abriu a torneira, mas dali não saiu água. Após muito insistir, o homem acabou mudando a torneira para outro lugar, para ver se funcionava. Mas também não funcionou. Tentou várias vezes, em vários locais diferentes, e nada.
Finalmente, o homem disse aos demais:
-“Fui enganado! Venderam-me uma torneira estragada”!



Esse conto da filosofia oriental nos mostra como é importante conhecer o que está por trás das aparências.
O apego às coisas materiais muitas vezes nos impede de enxergar o que realmente tem valor e significado. Esse apego cria a ansiedade, o vazio e é a porta aberta para o medo. A sensação de sufoco atrapalha a nossa visão diante das necessidades.
A experiência que todos estamos vivendo hoje com o racionamento e falta de água nos faz sentir na pele, que as soluções para os problemas não são mágicas... Precisamos levar tudo isso muito a sério! Economizar, controlar o consumo, mostrar responsabilidade no uso da água que ainda temos e criar projetos alternativos de economia, como de armazenamento...  
As nossas ações, escolhas, atitudes, decisões, projetos, aspirações, desejos, anseios de vida devem estar fundamentados na fé em nós mesmos e nas pessoas. O que decidirmos e construirmos agora trará conseqüências para o futuro...     




Pensando e agindo assim, certamente estamos na contramão de tudo que vemos e sentimos na sociedade hoje, que super valoriza o consumo e o que é material, passageiro e descartável.
Não podemos cair no engano da ‘torneira estragada’. É preciso estar atentos, lúcidos, espertos, fortes e corajosos para valorizar a grandiosidade de nossa vida, das nossas possibilidades, do nosso potencial, do que somos capazes de realizar. É preciso buscar os motivos, as razões e os alicerces de tudo o que queremos.
Somos queridos e amados por Deus.















Edição n.º 976 - página 03


Arildo Antunes dos Santos, ex-prefeito, torna viva memória de Valinhos em Café Cultural





Aos 80 anos, Arildo Antunes dos Santos é dono de uma memória infalível, capaz de retratar importantes acontecimentos políticos de Valinhos, que ele mesmo ajudou a construir quando entrou na vida pública ainda jovem, em 1969.

O ex-prefeito foi o convidado especial nesta segunda-feira (23) da 16ª edição do Café Cultural, promovido pela Prefeitura, na Biblioteca Municipal ‘Dr. Mário Corrêa Lousada’, coordenado pela Secretaria de Cultural e Turismo, com entrada gratuita ao público.

Com um bom humor que lhe é peculiar, Arildo foi recebido por vários convidados, entre eles o prefeito Clayton Machado, o vice-prefeito Luiz Mayr Neto, Amélio Borin (que foi vice-prefeito do mandato de Arildo), o secretário de Cultura e Turismo, André Reis, além do diretor de Espaços Culturais, Fabrício Bizarri, coordenador do projeto.

Arildo agradeceu pela homenagem e convite para participar do Café Cultural: “Este é um importante projeto, realizado neste espaço que está sendo muito bem utilizado”, disse ao lembrar que a Biblioteca Pública foi criada em 1970, pelo governo do prefeito Luiz Bissoto, quando Arildo foi seu vice. 

Responsável por grandes conquistas para o município, Arildo Antunes dos Santos contou sua história e fatos políticos que contribuíram para o crescimento de Valinhos durante sua atuação.  Ele ocupou o cargo de prefeito de 1973 a 1976, tendo como seu vice-prefeito Amélio Borin.

Foi também vice-prefeito, ao lado do então prefeito Luiz Bissoto, de 1970 a 1972, quando deu início à carreira política. Arildo ainda foi vereador em duas legislaturas até 2004 e presidente da Câmara Municipal.

“Comecei pelo caminho inverso. Geralmente os prefeitos já tinham sido vereadores. Quando fui convidado pelo então prefeito Vicente José Marchiori, em 1969, para sair candidato, não tinha nenhuma experiência política, mas envolvimento com os agricultores, pois eu comercializava produtos plantados por eles. Disse: não quero sair contra o Luiz Bissoto, mas junto com ele. E assim aconteceu. Fiquei vice dele, e vencemos. Instalamos o governo ‘Cidade de Campo’. Sou muito grato ao Luiz que muito me ensinou”, falou.

Entre as várias obras como prefeito, Arildo construiu um novo sistema viário, incluindo o viaduto Governador Laudo Natel. Sobre esta história ele contou uma curiosidade.

“Precisávamos de verbas. Então um profissional da PUC de São Paulo me deu a seguinte ideia dizendo: ‘todo homem tem sua vaidade’ e me orientou a levar o desenho da obra ao governador e pedir a autorização para colocar o nome dele ao viaduto. Durante uma audiência em São Paulo, o governador viu o projeto e imediatamente determinou que fossem destinadas verbas para estudá-lo. O viaduto Governador Laudo Natel foi totalmente custeado pelo Estado”.

Arildo também implantou praças esportivas na cidade em um novo modelo de gestão com a parceria da iniciativa privada e adquiriu, em 1974, a área de 67 alqueires onde está instalada a barragem João Antunes dos Santos, em Vinhedo, cujas águas abastecem 20% do município de Valinhos.

Outros feitos de seu governo incluem a desapropriação do terreno para implantação do Recanto dos Velhinhos, a criação da Biblioteca Municipal ‘Dr. Mário Corrêa Lousada’, criação do Parque Municipal ‘Monsenhor Bruno Nardini’ e transferência da Festa do Figo para este local.





Projeto iniciado em 2013 valoriza músicas verdadeiramente de raiz


O terceiro ano do projeto ‘Cantando o Sertão’ será aberto neste sábado (28), com a apresentação de músicos que atuam na divulgação da verdadeira música de raiz.
Subirão ao palco do Coreto do Largo São Sebastião, nesta primeira edição de 2015, a partir das 9h, o violeiro Robson Furiozo, que também coordena o projeto, e as duplas Ribeiro & Monte Mor e Donizete Soares & Arildinho.
Pessoas passam pelo Centro de Valinhos e aproveitam a manhã do sábado para ouvir belas canções sertanejas que fizeram sucesso nas vozes de vários intérpretes, além de composições próprias dos artistas locais.
O evento é uma promoção da Prefeitura, sob coordenação da Secretaria de Cultura e Turismo, com o objetivo de levar diversidade cultural ao espaço do Coreto, localizado bem no Centro da cidade.
Os músicos interessados em participar do projeto devem se dirigir ao Centro Cultural ‘Vicente Musselli’, na Avenida Joaquim Alves Corrêa, nº 627. Os telefones para contato são 3871-3646 e 7815-4558 (com Robson Furiozo).



 Edição n.º 976 - página 04


Filhos são para sempre!!



O amor não precisa ser perfeito... Ele só precisa ser de verdade



É impressionante como as coisas mudam com o passar dos anos. E nem sempre essa “evolução da espécie” é boa. Sabe por que digo isso? Porque embora estejamos nos tornando cada vez mais livres, estamos banalizando muito a família!
Nos dias de hoje os casamentos ocorrem com o seguinte ‘respaldo’: ”Se não der certo a gente separa”. Está certo – não vamos enterrar nossas vidas num casamento infeliz como faziam nossos avós, nossos pais, pois na época deles, as pessoas separadas eram mal vistas.
Mas espere um pouco! Será que se lembram daqueles seres de quem não podemos nos separar? Seres que  serão nossos para sempre?
Isso mesmo, estou falando dos nossos filhos.
Na maioria das vezes ficam com as mães porque elas (as mães) realmente querem, outras tantas ficam, porém para serem usadas (as crianças) como moeda de troca, obrigando, dessa forma, o ex-marido a continuar sustentando a casa. De qualquer forma,  a vida segue... As mães continuam cuidando, acalentando, amando.
E cadê você, pai? Acha mesmo que ser pai é só pagar a conta? Que é só vir a cada 15 dias pra passear um pouco?
De forma alguma! A figura paterna é tão importante na vida da criança quanto a materna, não importando o sexo dos filhos. Chega de desculpas. Nós trabalhamos, ensinamos, cuidamos  e ainda conseguimos seguir a vida e conhecer novas pessoas. Agora é a sua vez PAI,  de mostrar comprometimento e responsabilidade real na educação das crianças.   É a hora de se mostrar presente, de dar carinho, de educar!



Em Dezembro de 2014 aprovaram a lei 13.058/14, que trata da Guarda Compartihada, que determina que ambos , pai e mãe, deverão decidir juntos tudo o que diz respeito à criança, desde que seja da vontade de ambos, e que nenhum abra mão da guarda.
Espero que esta lei traga recursos para que pais dedicados consigam participar mais da vida de seu filho, e que as crianças possam desfrutar desse instrumento legal para ter uma família completa, ainda que dividida!





























Edição n.º 976 - página 05


Recriança é aprimorado e multiplica vagas para crianças e adolescentes



A Prefeitura de Valinhos, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação, otimizou o atendimento e mais que dobrou o número de vagas oferecidas pelo programa conhecido, até o ano passado, como Recriança.
Até dezembro de 2014, o município contava com sete unidades do Recriança, que atendiam 142 crianças entre 6 e 12 anos. Neste ano, serão 340 crianças e adolescentes, de 6 a 16 anos, separadas por núcleos que atenderão de 6 a 11 anos e de 12 a 16, beneficiados com o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos.
O novo programa, agora reordenado, está presente em duas unidades municipais, no Jardim Bom Retiro e São Bento do Recreio e é desenvolvido em parceria com as entidades: Casa da Criança e do Adolescente, Centro de Orientação Humana, Cristã, Santa Rita de Cássia, Círculo de Amigos do Patrulheiro de Valinhos e Instituto Vida Renovada.
Em dezembro de 2014, todas as famílias até então atendidas pelo Programa Recriança foram convidadas a conhecer a proposta de reordenamento e a metodologia proposta para 2015. O período de rematrícula ocorreu entre 12 e 22 de janeiro.
Em entrevista, a coordenadora pedagógica dos núcleos Bom Retiro e São Bento, Débora da Silva Oliveira, enfatiza que este fortalecimento de vínculos é extremamente importante para as crianças e para os pais. “A mãe deixa o filho aqui e sabe que pode ir trabalhar tranquila, pois ele está sendo bem cuidado e alimentado. Além da implantação do almoço, atender os adolescentes também está sendo ótimo, pois tira esse jovem das ruas. Para a faixa etária acima dos 12 anos começam a ser desenvolvidos trabalhos voltados à capacitação profissional, mesmo que estes não sejam inseridos agora no mercado de trabalho, é importante para o amadurecimento deles”.

Atividades são desenvolvidas no contraturno escolar

Implantado no município há 10 anos, o Recriança, agora reordenado, tem por objetivo promover a complementação da formação das crianças por meio de brincadeiras, jogos, leitura e outras atividades que promovam valores humanos.
As atividades são diárias, com quatro horas de duração, no contraturno escolar. É um trabalho preventivo, pois evita que crianças e adolescentes fiquem sozinhas em casa enquanto os pais trabalham.
São fornecidas duas refeições por período: matutino - café da manhã e almoço e vespertino com almoço e lanche da tarde.
Há ainda uma atuação da equipe multidisciplinar de atendimento com assistente social, pedagoga, um monitor para cada 20 crianças ou adolescentes, agente administrativo, merendeira e serviços gerais.
Os serviços serão direcionados por proposta sócio-pedagógica sob coordenação de uma pedagoga da Secretaria e monitorados por profissionais responsáveis pela área de Vigilância Socioassistencial.



















Edição n.º 976 - página 06 

CONSTRUINDO NA DESCONSTRUÇÃO



“Marca passa a ser constituída a partir da experiência das pessoas com ela – e não por si mesma, numa sociedade em rede que derruba hierarquias e discursos centralizadores.” – Renata Leite do Mundo do Marketing



Experimentar, testar, apoderar-se – são os verbos dos novos tempos, mexendo com a antiga ordem das coisas. Quem nasceu após a segunda metade do século XX, no Brasil, já começou a viver mais habituado a mudanças. Mas ainda eram pequenas mudanças. A vida ainda era linear. Apesar dos avanços advindos da revolução industrial do começo do século, o cidadão comum ainda participava de uma família tradicional, estudava em instituições de ensino com regras e padrões preestabelecidos “desde sempre”. O esperado era que trabalhasse em organizações quase imutáveis, da juventude à aposentadoria, por vezes no mesmo cargo, exercendo as mesmas funções. As últimas décadas do século XX é que efetivamente trouxeram a inquietação necessária, para que o movimento de poucos passasse a ser o da maioria.



E então estamos no século XXI, cheio de possibilidades. Conectados dia e noite, graças à revolução tecnológica; observados dentro e fora dos edifícios residenciais e comerciais, em nome da segurança – quase inexistente; ansiando por pertencimento e interação. Por quê? Porque somos seres sociais, como gosto sempre de lembrar. Por vezes, o desequilíbrio nas relações humanas nos leva a pensar que talvez não sejamos assim tão sociais... Mas somos!



As marcas sabem disso e até no que diz respeito a seus logotipos/ logomarcas/ identidade visual, antes imutáveis, começaram a se abrir e se dispor a interagir com o público, para que ele se aproprie verdadeiramente da marca. Criatividade e arte andam de mãos dadas com consumidores ávidos por novas experimentações. Como em muitos processos de criação, a construção pode partir da desconstrução. Através dos processos colaborativos, é gerada identificação. Daí para a paixão é um passo. E que mais se pode querer? Um público apaixonado é que determina o sucesso de marcas, produtos, serviços e pessoas.



Nem todos os exemplos das ilustrações foram fruto de processos colaborativos. Muitas companhias, ao identificarem mudanças sociais e comportamentais, espontaneamente promovem as alterações, com sua própria equipe ou agências.



Que possamos vivenciar o melhor desta nova ordem – ou desordem – das coisas.









 Edição n.º 976 - página 07





A urgência da Reforma Política





A reforma política está na ordem do dia. A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) lançaram em Brasília um manifesto em favor da reforma política, uma vez que o Brasil vive "graves dificuldades político-sociais" e o país, as instituições democráticas e o processo eleitoral passam por uma "inquestionável crise".
A comissão especial da Câmara encarregada de analisar o projeto da reforma política já se reuniu para sua primeira reunião de trabalho, tendo os parlamentares aprovado requerimentos para ouvir em audiências públicas integrantes do Judiciário e entidades como a OAB.
Resta saber quais propostas serão realmente aprovadas pelo Congresso Nacional. Existem vários projetos de lei em tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado, e ainda posicionamentos do Supremo Tribunal Federal sobre vários pontos que devem ser observados com relação a esse assunto. O debate deve se intensificar. A CNBB, OAB e uma coalizão de entidades estão coletando assinaturas para um projeto de iniciativa popular.
Pontos controversos estão em debate, como, por exemplo, a questão do financiamento das campanhas. Alguns defendem o financiamento público exclusivo, que favorece os maiores partidos, principalmente o PT, pois 75% dos recursos seriam distribuídos pelos partidos com a maior bancada de parlamentares. Há propostas de financiamento misto, como a que defende o deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados.
Outro ponto diz respeito ao financiamento público e empresarial, em que me posiciono contrariamente, pois entendo que os Partidos têm que sobreviver de seus membros e pessoas físicas simpatizantes que queiram contribuir com até 10% da sua renda declarada no ano anterior. Esta é uma forma de fortalecer o Partido, inclusive.


O problema das listas partidárias também é outra questão controversa. Listas fechadas poderiam tornar parlamentares totalmente reféns do partido, e não haveria, por exemplo, a possibilidade de objeção de consciência, em questões como aborto, eutanásia, pena de morte, etc. Essa é uma questão complicada, daí a necessidade do debate se aprofundar.
Paridade de gênero também é discutível, porque é preciso haver um critério de representatividade que não seja apenas de cotas, mas de meritocracia, competência.



Precisa-se também dar um fim ao Fundo Partidário (distribuição de nosso dinheiro aos partidos, tornando-se atraente criar partidos, pois dá lucro aos seus “fundadores”) e de estabelecer-se cláusula de barreira, de forma que um partido possa ter sua representação nos legislativos somente a partir de um determinado percentual de representantes eleitos. Por exemplo, 5% do total de deputados federais e estaduais; 10% de senadores e 25% de vereadores. Para que as campanhas políticas se tornem mais baratas e o povo possa conhecer melhor seu representante devem ser estabelecidos os distritos eleitorais, de forma que se possa votar em alguém da região do eleitor. Seria oportuna a redução do número de senadores a 2 por Estado e o número de deputados federais a apenas 250, ocasionando, dessa forma, também uma redução no número de deputados estaduais e vereadores. E, finalmente, não se poderia tornar mais decente e compatível com a realidade brasileira a remuneração dos políticos eleitos?
De qualquer forma, tudo isso está agora em debate na sociedade. É preciso acompanhar as propostas apresentadas, os argumentos, os interesses em jogo. É importante conhecer bem as propostas e chegar-se a um consenso da melhor reforma política, a partir da nossa realidade. O fato é que o Brasil precisa da reforma política, para tornar nossa democracia mais democrática. A população deve fazer a sua parte, acompanhando "ativamente" a discussão do tema no Congresso Nacional. Não vai adiantar ficar indiferente, dizer que não tem interesse no debate e reclamar depois... A hora é agora!

















Edição n.º 976 - página 08

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Comentários de antes do carnaval chegar


O ano político costuma começar só depois do Carnaval, mas até isso mudou: 2015 começou seco, quente e antes da hora em Brasília, com a presidente Dilma Rousseff sambando no Planalto, o PT desafinando no Congresso e os dois derrapando na avenida. A sequência de derrotas do Planalto e do PT é impressionante pela quantidade e pela rapidez. Dilma e seu partido não conseguem passar um único dia sem levar uma bordoada, seja pelos índices da economia, seja pelo desastre agora literal da Petrobras, seja pela dinâmica do Congresso. E ele precisava ter aprovado o “convite” para os 39 ministros de Dilma irem ao Congresso, um a cada semana, para ajoelhar e rezar? O Executivo vai passar o ano de joelhos diante do Legislativo. Dilma erra uma atrás da outra, o ex-presidente Lula está indócil, o PT perde todas no Congresso.” (Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo, 13/02, A8)



Só para confirmar o descontentamento geral, eis aqui uma colcha de retalhos de textos de diferentes articulistas, saídos em vários órgãos da imprensa escrita na sexta-feira, 13 fevereiro. E, desde então, a cada dia as notícias só fazem piorar.
Não há imagem que  “valha” mais do que essas muitas palavras que testemunham a imensidão do descalabro de fatos delatados; a incompetência e a truculência da presidente para gerenciar tais fatos; e o incontestável comprometimento e/ou omissão do lulopetismo no caso do petrolão.
Em O GLOBO, o articulista Helil Cardozo escreveu que o “O Brasil acreditou na propaganda do PT. Milhares de incautos caíram na pegadinha do ex-presidente Lula, o melhor vendedor de ilusões que a história recente já produziu. Nove anos depois do anúncio de que Itaboraí seria a terra prometida, escolhida para sediar o Comperj, maior polo petroquímico do país, assistimos estarrecidos ao sonho virar pesadelo.”
No mesmo jornal O GLOBO, outro articulista, Rogério Furquim Werneck, reflete que “de desastre em desastre, a presidente Dilma se vê com espaço de manobra cada vez mais restrito. O que agora se noticia é que, alarmada com a rápida queda de sua popularidade e com a extensão da deterioração de sua imagem, Dilma estaria convencida de que precisa se reaproximar de seu marqueteiro. Uma reação redondamente equivocada. Passar a entremear consultas ao espelho com sessões de ilusionismo não é exatamente o tipo de arejamento de que a presidente precisa.”
Na Folha de S.Paulo, Reinaldo Azevedo reconheceu: “valentias de moribundo são um espetáculo melancólico. O PT era uma neurose. Agora é só uma necrose moral. Para surpresa de ninguém, está na praça a tese do suposto confronto entre "conservadores e progressistas", entre "golpistas e legalistas", entre "nós e eles".
Em O Estado de S.Paulo, Fernando Gabeira considerou: “escolheram mais um suspeito de sempre. Essa frase, de um jornalista americano, sobre o novo presidente da Petrobras é precisa. Certamente não se referia à trajetória pessoal de Aldemir Bendine. Ele ignora que o banqueiro guarda dinheiro no colchão ou que fez um empréstimo generoso à socialite Val Marchiori. Creio que queria apenas dizer que o governo arruinou a Petrobras e dificilmente encontrará alguém, dentro dos seus quadros, capaz de reconstruí-la. O grande adversário do PT é sua própria visão de mundo. O partido considera manobra golpista a enxurrada de dados sobre corrupção na Petrobras e outros órgãos do governo. Por exemplo, um ex-gerente, em delação premiada, disse que o PT recebeu mais ou menos US$ 200 milhões em propinas, na área de abastecimento. O partido nega. O empresário de Santa Catarina que tinha 500 relógios num cofre tem lá sua lógica. O tempo está contra a quadrilha, é preciso detê-lo de qualquer forma”.
O editorial do Estadão também é contundente: “A contraofensiva petista está armada para tentar impedir que as investigações da Operação Lava Jato devastem o partido. Resta saber se haverá dedos suficientes para tapar todos os buracos que não param de surgir no imenso dique que ainda retém o mar de lama.”
E um último retalho para finalizar a colcha é do Elio Gaspari, saiu na Folha de S.Paulo e não é do dia 13, como as outras, mas de 15 de fevereiro: “Com 39 ministros ao alcance de um telefonema, Dilma foi a São Paulo conversar com Lula, buscando os conselhos de Nosso Guia. Sabe-se lá o que Lula teve a oferecer, mas em menos de dois meses a doutora ficou na avenida com um desfile caótico. Seu enredo, anunciado durante a campanha eleitoral, está vencido e algumas de suas alas desfilam com as fantasias da escola de Aécio Neves. Seu samba, com dois puxadores — Joaquim Levy na Fazenda e o PT no Planalto — está atravessado. Isso tudo e mais uma arquibancada cética”.
E agora, que o carnaval já passou? O que será?












Edição n.º 975 - página 01