Mais de nove
mil alunos ainda não sabem como vão concluir os cursos depois do
descredenciamento de duas universidades pelo Ministério da Educação, o MEC.
O MEC descredenciou a Universidade Gama Filho
e o Centro Universitário da Cidade (UniverCidade), ambos no Rio de Janeiro. As
duas instituições já estavam com o vestibular suspenso pelo ministério e,
agora, não podem ser reabertas. O Grupo Galileo Educacional, mantenedor e administrador
dessas duas instituições de ensino superior, está afundado em dívidas, mas diz que vai recorrer da
decisão.
Os motivos para o
descredenciamento foram a baixa qualidade acadêmica, o grave comprometimento da
situação econômico-financeira da mantenedora das duas instituições e a falta de
um plano viável para superar o problema, além da crescente precarização da
oferta da educação superior.
A crise nas universidades privadas
cariocas começou após o Grupo Galileo Educacional comprar a Gama Filho e
UniverCidade, em meados de 2011. Em dezembro do mesmo ano, o Galileo demitiu
cerca de 800 pessoas, entre professores e funcionários, e não pagou seus
direitos trabalhistas. O grupo também impôs um aumento abusivo na mensalidade.
O MEC optou pelo
descredenciamento para “preservar o interesse dos estudantes e da sociedade”.
Com o descredenciamento, o MEC convocará universidades que tenham condições e
interesse de receber os alunos das instituições fechadas. A chamada
“transferência assistida” tem como objetivo facilitar o processo de mudança de
instituição que deverá ser feito pelos alunos e também deverá auxiliar a
transferência de professores. Mas isso dependerá do interesse de outras
instituições.
No caso dos estudantes, há
mobilizações tanto no Rio quanto em Brasília. Vic Barros, presidente da UNE
(União Nacional dos Estudantes) assinala que a solução encontrada pelo MEC foi
muito ruim e pode levar a uma sequência de descredenciamentos capaz de abalar o
ensino universitário no país e representa uma demonstração do quanto os
interesses mercantis rebaixaram o ensino.
O
descredenciamento de universidades brasileiras é uma vergonha para o País,
principalmente para aqueles que se propõe a oferecer educação com qualidade, afirma
o sociólogo e educador Valmor Bolan. Aduz ainda que o fato é que como pano de
fundo de toda essa questão está a opção de muitas instituições de ensino
superior brasileiras pelo mercantilismo puro e pela irresponsabilidade social e
moral. Obcecadas apenas com os ganhos financeiros, com a quantidade em vez de
qualidade, com as cifras em vez de valores humanos, priorizando o tecnicismo em
vez do investimento em qualificação profissional na valorização do aluno concorrem
para situações como essas que estamos vendo: o MEC sendo obrigado a intervir,
alunos tendo que buscar outras instituições para suprir as lacunas, com
prejuízos de tempo e dinheiro e consequentes desgastes em função de todos esses
contratempos.
É preciso que os gestores
de instituições de ensino superior reflitam mais e tomem atitudes que
correspondam ao que se propõem a fazer. É preciso compromisso, seriedade e
educação com qualidade para todos. E que a sociedade eleve as exigências por instituições
de ensino superior dignas rejeitando as que comprometem a imagem do sistema
brasileiro de ensino superior. A sociedade deve entender que não pode delegar
ao governo algo tão vital na construção do futuro de seus filhos. Ou a
sociedade exige qualidade efetiva do ensino em todos os níveis ou esse estado
de coisas perdurará.
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