sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Lindo e triste Brasil



Sou nascido aqui nesse país.Tão gigante, tão franzino,seu destino ao deus-dará. Tudo aqui é mesmo tão lindo!
Sou do país do futuro:futuro que insiste em não vir por aqui.
Quem sabe ainda veremoso que o Poetinha um dia sonhou mas não viu:Pátria, minha patriazinha, tadinha,lindo e triste Brasil.


Depois de tantos dias visitando e apreciando lugares tão bonitos de diferentes países europeus, esses versos da música de Toquinho vêm a calhar, por traduzirem perfeitamente o sentimento de quem retorna, cheia de saudades, à pátria amada.
No entanto, o país continua a ser do futuro (1).
A esperança de que, afinal, a impunidade tivesse chegado ao fim foi embora e acabou-se.
A violência policial, a destruição do patrimônio público nas manifestações populares, a ocupação da reitoria da USP pelos estudantes, tudo mostra que não houve mudança, que não está havendo a desejada ordem que promove o progresso (2).
O desastrado discurso da presidente na Assembleia Geral da ONU provocou reações não muito favoráveis, tanto aqui como no exterior. Até um texto da revista inglesa The Economist desta semana comentou o fato (“Uma economia estagnada, um governo inchado e protestos das massas significam que Dilma Rousseff precisa mudar o rumo”), e ilustrou a matéria com uma imagem do Cristo Redentor sendo ejetado do seu pedestal (3), em contraste com a imagem de capa (4) da mesma revista, há três anos (14/11/2009): “O Brasil decola”.
Na semana decisiva para a filiação de deputados, os recém-criados PROS (Partido Republicano da Ordem Social) e Solidariedade (de Paulinho da Força Sindical) medem força para ver quem atrai mais parlamentares e esperam contar, ainda, com a possibilidade de a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, não vingar.
De maneira que continua tudo igual: o lindo e gigantesco Brasil sonhado e não visto pelo Poetinha ainda é (até quando, meu Deus?) o país do futuro, o qual insiste em não chegar por aqui.
De modo que esta patriazinha, tadinha, é ainda um triste Brasil franzino, de muita corrupção, cujo destino permanece ao deus-dará.
Mas quem sabe veremos surgir um novo país aquele com o qual sonhamos desde sempre votando limpo nas próximas eleições?

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