sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Repensando o relacionamento


A terapia comunitária propõe que a partir de suas vivências, o indivíduo crie habilidades e condições de superar os problemas. É a terapia que deve promover o resistir, o retirar-se do problema.



Participei de uma sessão de terapia comunitária, coordenada por Élida Maria Espontão Castanho.
Depois de longa experiência com assistência social, Élida procurou novas técnicas para o trabalho de orientação de pessoas com entraves no relacionamento dentro do contextos em que vivem, o que envolve família, amigos e estranhos.

Somos parte de um todo.
Na teoria da linha sistêmica, que entende as pessoas como uma organização que não vive isolada, Élida descobriu a importância da conversa reflexiva, em que todos escutam todos.

Formação
Isto exigiu estudos, estágios e mais conhecimentos sobre as inter-relações pessoais, para poder promover o espaço de escuta e conversa.

Diferenças não apartam as pessoas
Constatei que a terapia comunitária é o espaço da conversa, da escuta do outro, no qual cada um coloca seu problema sem julgar se o problema vivido é pequeno ou grande perante o do outro. Cada problema é proposto como “próprio”, e não o “nosso’, ou o “da gente”.
Identificando as diferenças, a conversa reflexiva leva as pessoas a entenderem que as diferenças não constituem motivos para apartarem os diferentes.
Elimina-se o “ou” como eu quero “ou” como você quer.
Instala-se a coerência do “e” você “e” eu vamos formar um organismo social.

Ninguém é, mas pode estar!
Observei que na proposta da terapia comunitária, o terapeuta não dá receitas nem indica credos ou remédios.
No desenvolvimento da conversa destaca-se a substituição da expressão “fulano é” por “fulano está”.
Isso muda completamente a perspectiva de um fechamento para uma abertura de entendimento.
Porque, por exemplo, se uma pessoa está ciumenta ao invés de ser ciumenta, isso que dizer que ela não está isolada ou sozinha, e sim que, no momento, ela tem um problema na relação com alguém. O foco passa a ser o da relação.
E a reflexão terapêutica vai contribuir para um provável entendimento das causas de inquietações e desconfianças.

Narrando e escutando
Na terapia comunitária, o terapeuta-coordenador sugere que todos coloquem seu problema prioritário e, após a exposição de todos os participantes, o próprio grupo escolha o tema – problema do encontro.
A justificativa da Élida é que à medida que uma pessoa faz a narrativa de seu interesse, o narrador é o primeiro a se escutar e perceber que ele não está isolado do corpo social, porque os outros estão atentos ao seu problema.
A terapia comunitária é aberta e o terapeuta não faz análise. Ele é apenas um facilitador da conversa reflexiva.
É ali que surge o conhecimento de cada um a partir de sua própria vivência e não de um discurso pré-elaborado.
Ninguém fica na dependência de outro. Cria-se uma nova visão.

A música
“Mas acima de tudo e apesar de me expor, aprendi que para esse problema eu mesmo é que sou doutor”.
Este verso criado por Fernando Kachan, membro do grupo, foi musicado por Onivaldo Fornaro, outro participante. Percebe-se, assim que a terapeuta contou com a contribuição voluntária de vários participantes. Dessa maneira, com a moldura musical, os encontros se tornam mais agradáveis, de acordo com o filósofo Nitzsche, que afirmava que “sem música a vida seria insuportável”.

Esta foi uma reportagem especial, porque participei da minha primeira sessão de terapia comunitária. Saí mais aliviado comigo mesmo.
Texto
Tom Santos

Cumprimento a Élida
por seus dez anos de missão
tão importante.






















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