As
manifestações e os protestos de rua antigoverno na vizinha Venezuela continuam
a eclodir, deixando um saldo de pelo menos 39 mortos, mais de 550 pessoas
feridas em armas de fogo e milhares de detidos, entre eles três prefeitos da
oposição. Algumas foram assassinadas por homens uniformizados, mas quem mata
para valer no país são os membros sem rosto das milícias criadas e armadas pelo
falecido Hugo Chávez. O próprio Maduro, num pronunciamento público, estimulou essas
milícias a enfrentar na “porrada” os manifestantes. Como se fosse pouco, a
tortura se generalizou no país. Recente reportagem de VEJA (edição 2.369, nº
16, de 16/4/2014), trouxe o depoimento de jovens que foram barbaramente
seviciados pelas forças da repressão.
A
Anistia Internacional (AI) denunciou esses casos de tortura e violações de
direitos humanos contra opositores do governo do ensandecido presidente Nicolás
Maduro, pedindo que a ONU (Organização das Nações Unidas), a OEA (Organização
dos Estados Americanos) e a Unasul (União das Nações Sul-Americanas) tomem medidas
e passem a intervir, mediando o diálogo entre as partes envolvidas.
Os
ministros das Relações Exteriores da Unasul enviaram uma série de recomendações
ao presidente Maduro, após reuniões com representantes de vários setores,
incluindo porta-vozes da principal aliança opositora do atual regime
venezuelano, a MUD (Mesa de Unidade Democrática). Dentre essas recomendações, deixam
aberta a possibilidade de diálogo com o governo, mas condicionaram uma eventual
negociação política para superar a crise venezuelana a uma agenda de pontos
essenciais, entre eles o fim da violação dos direitos humanos, e à presença de
um terceiro envolvido no processo, que atue “de boa fé”.
O Vaticano está disposto a intervir diplomaticamente nessa crise, depois de semanas de distúrbios com vítimas fatais, para atuar como o terceiro de “boa fé”, mas disse que precisa estudar as expectativas e opções sobre o papel que pode desempenhar.
O fato é que estamos assistindo o declínio do regime chavista. Mas estamos assistindo de braços cruzados, ou melhor, o governo brasileiro dá todo o apoio a esse simulacro de democracia num triste e lamentável espetáculo de cumplicidade e conivência. A presidente Dilma Rousseff com essa atitude deixa claro, assim, que criou uma “Comissão da Verdade” porque ela se opõe a que se torturem apenas as pessoas erradas. Quando o torturado é o “inimigo”, aí tudo bem! Mas o povo venezuelano não é nosso inimigo, não é inimigo dos brasileiros. É preciso que essa posição seja revista e passe a refletir os sentimentos e a nossa vontade, sem quaisquer ideologias pessoais. Afinal, somos todos irmãos, braços dados ou não!...
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