“Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda
vai nos levar além.” – Paulo Leminski – escritor
O gênero literário de minha preferência é o lírico, cujo
foco está no interior de quem escreve. Mais especificamente, a poesia, que tem
seu foco na estética da palavra.
Nas últimas semanas, emoções e palavras se misturaram,
nem sempre de forma agradável. Mas sempre com muita intensidade.
A despeito dos acontecimentos inerentes à vida, comecei a
considerar que estava tudo muito superlativo. Aí me lembrei – está chegando o
Dia das Mães! Era essa a razão da emoção potencializada? Talvez. É o 24º ano
que isso se repete.
Quando Henriette se foi, deixou comigo o compromisso de
ser quem sou, buscando melhorar a cada dia. E porque ninguém poderia me amar
mais do que ela, sua ausência é tão cheia de significados e emoções. Na maior
parte do tempo, as lembranças são doces e prazerosas. Menos nesses dias... Mãe,
quando se vai, não vai. Fica pra sempre.
Um dos textos que me tocou profundamente nesta semana foi
publicado no blog de Borges, o gato – aquele gatinho poeta, sobre quem já
escrevi, que faz o maior sucesso no Facebook.
Reproduzo aqui alguns trechos do texto, intitulado “Meu
ensaio sobre a cegueira” (http://www.borgesogato.com/meu-ensaio-sobre-a-cegueira/), de
Borges, o gato, sobre os alunos com deficiências visuais de Adriana Santos, que
acompanham as publicações do blog em sala de aula:
“O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê.” –
do Livro Sobre Nada de Manoel de Barros “... Ler com a imaginação é mais
profícuo do que ler com os olhos. Quando lhes foi negada a visão dos olhos, se
abriu uma visão imaginativa. Os cegos são construidores de mundos incríveis...
Quero, ainda que enxergando, poder aprender a transver o mundo com os alunos da
tia Adriana que são alunos em sala, mas professores na arte de transver.”
A razão da emoção? Mães nos ensinam a arte de transver. E
isso fica pra sempre. Mesmo quando os tropeços da vida nos fazem cair. Passado
o susto, lá estamos nós, transvendo, quase sem perceber.
Assim, entrelaçando fatos e fotos, que falam das
histórias de tantos personagens, tão reais, particulares e singulares, acabamos
encontrando razão para aquilo que parecia finito. E lembrando que amor que é
amor, dura pra sempre.
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